O Curumim, o gavião e o pintinho

Um dia um curuminzinho paraibano estava em sua casa fazendo o que menino sabe fazer de melhor, brincar, até que como todos os dias estava chegando a hora de sua irmã mais velha ir trabalhar, lá, eles não tinham muitos recursos era uma família muito humilde, mas amavam uns aos outros, cada um de acordo com sua peculiaridade. Como ainda costume em muitos lares nordestinos primeiro eram servidos os provedores da casa, as crianças eram servidos depois; hoje com nossa mente século XXI podemos até achar poxa que crueldade, até mesmo hoje aquele menino acha isso e nunca repetiu esse feito com nenhum dos seus filhos ou com qualquer que mesmo que por poucos minutos esteve sob sua tutela. Mas a realidade ali era essa para que quem provesse o sustento da casa tivesse condições de trabalhar para trazer mais comida para a casa, esse era o meio.

Ainda sem ter mistura para a filha mais velha comer junto com o feijão e a farinha a morena e franzina dona Maria ouve um grunhir alto e agudo lá vem um gavião querendo atacar as poucas e magras galinhas da família. Num rasante a ave se atira em queda livre como um Pqd em delta, e tenta arrebatar um dos pequenos pintinhos, dona maria e a filha mais velha tentam impedir o ataque enquanto o pequeno curumim olha a cena esperando o desfecho, com a tentativa de mãe e filha o gavião se distrai, mas mesmo assim ainda consegue encravar suas garras no pintinho, porém o pintinho escapole e cai no solo já quase sem vida. A dona maria olha para aquele pintinho e diz bom pelo menos o pintinho ficou aqui, já tem a mistura minha filha, a essa altura outro dos filhos já havia ido comprar um pedaço de jabá, mas sabendo que a mãe iria fazer o pintinho para a filha mais velha o curumim passou a pedir incessantemente o pintinho, ele também queria, sua irmã já dizia: “deixa mãinha eu dou um pouquinho para ele”, sua mãe lhe retruca: “NÃO, esse curumim não pode ser acostumado assim, e quando não tiver? Ele vai chorar e eu vou ter que tirar uma lasca de mim pra dá pra ele comer?”, mas o curumim estava determinado, aliás ele nem sabia o que significava estar determinado, mas ele queria muito aquele pintinho, até que sua mão pegou sua sandália e fez uns carinhos em sua magra traseira, o curumim se abriu no choro, sua irmã com pena dele o colocou próximo de si e lhe deu um pouco do pintinho ele em fim comeu, almoçou o pintinho.

Ele viu e participava de tudo, ele tinha participação na situação que assolava aquela família, ele ouviu o gavião ordenar seu ataque, viu a mãe e a irmã partirem em defesa daquilo que seria em alguns meses ou semanas seu sustento, ele viu o pequeno pintinho ser morto, porém estava impedido de participar da melhor parte disso tudo, se alimentar do pintinho, ele apanhou e chorou, e hoje ele quando conta essa história seu olhar, mesmo já contornado com algumas marcas do tempo, ainda brilha enquanto profere em meio a um sorriso: “eu apanhei, mas eu comi o pintinho”.

Hoje já com seus três filhos criados, dois delas já com família constituída, ele aguarda seus netos para babar, cantar: “serra, serra, serrador...” e quando forem mais crescidinhos contar a história do curumim, o gavião e o pintinho.

E para você que leu essa história, nunca se esqueça, você pode até apanhar mas não desista de seus objetivos por menores que sejam, marque sua história.

Um comentário:

Cong. de Parque Nazaré disse...

A paz do Senhor, meus amados irmão.

Glória a Deus pela vida de vcs.
Que Deus abençõe poderosamento o ministérios dos irmãos e fortaleça os vossos corações.

Que a graça de Deus esteja com vcs.

Letícia - RJ